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Exposições | Exhibitions




I INAUGURAÇÃO / Virtual OPENING |  11 Fevereiro 2021   


Aimée Pedezert | Frutaria, Desenhos recentes

Uma frutaria, em tempos de pandemia, não é só uma frutaria. É um dos únicos estabelecimentos de comércio a retalho que se mantém aberto, para lá dos horários mais estritos do Estado de Emergência decretado. Permite aos confinados esticarem as pernas nas voltas do bairro; o encontro, mesmo que a dois metros de distância, com os vizinhos; o sorriso semi escondido na máscara pela antevisão de manjar, em segurança, o que se adquiriu no pequeno mercado. A frutaria é um farol aceso no silêncio das ruas. O local onde se podem encontrar bens de primeira necessidade ou outros considerados essenciais no actual contexto.

Na Frutaria criada especialmente para a Tinta nos Nervos, por Aimée Pedezert (Bordéus, 1988), artista francesa que vive e trabalha em Lisboa desde 2015, os bens essenciais são os artísticos, fruto do impulso criativo que torneia uma ideia de imobilidade e suspensão das actividades. Esta Frutaria está sempre aberta. Porque de portas fechadas, se pode espreitar pelas montras a ver o que existe, porque online, no site, se montou uma banca virtual onde é possível encontrar dióspiros, alfaces, beterrabas, cerejas, pêssegos ou bananas. Com um conjunto de 19 desenhos a acrílico sobre papel A2, realizados em pinceladas amplas e gestos rápidos, Aimée ocupa as paredes da galeria apropriando-se esteticamente da (in)disciplina com que o comércio normalmente disponibiliza a mercadoria ao olhar e desejo dos clientes voyeurs.

O que se pretende é inundar de cor todo o espaço. Fazer com que, um dia de portas abertas novamente, o visitante mergulhe na intensidade luminosa e retire o peso de dias cinzentos pautados pelo medo e pela doença. O que se quer é o oposto.  “Só me apetece desenhar com cor” referiu a artista em conversa quando confrontada com a diferença em relação a trabalhos anteriores, quase sempre executados a preto, com tinta da China, sobre fundo branco : “não consigo pintar a preto”.  A cada imagem, mais ou menos fiel ao referente real, os frutos e legumes são sobretudo forma e cor, fundo e figura. Os 13 desenhos mais pequenos, onde se podem descobrir sementes e grãos, são jogos visuais de paciência, a contabilizar um tempo que parece estender-se ponto por ponto, pincelada a pincelada.

 Há um sentido de urgência e execução pouco aprimorada que rasga a brancura da folha papel na súbita vontade cromática. Faz-se nascer a cor com a mesma energia desregulada com que as crianças descobrem o poder dos riscadores. Não há peso ou desejo de filiações artísticas apesar de algumas referências serem evidentes. Não há pudor na expressão pueril do vocabulário encontrado, porque tudo o que aglutina as imagens criadas é o puro divertimento de as fazer. Aqui numa galeria. Mas podia ser na rua, onde Aimée primeiramente deu a conhecer o seu trabalho.

Trabalhos ficarão disponíveis para compra online a partir de dia 11 de Fevereiro. Mais info aqui
  




 
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