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Les fleurs de cimitière. Edmond Baudoin.




Les fleurs de cimitière. Edmond Baudoin.
288 páginas. Capa brochada com badanas; preto-e-branco; em língua francesa. 29 x 22 cm. L'Association. 35,90 Euros.


Apesar de Edmond Baudoin ser um dos maiores cultores e impulsionadores do género da autobiografia (poética) em banda desenhada, este volume mais recente não é apenas uma nova etapa, ou grau, mas uma nova natureza nesses seus gestos. Lançando mão de todo o seu arquivo de obra publicada, cadernos de viagem, esboços e estudos, retratos feitos por outros, memórias da sua vida e dos seus interlocutores (família, amigos, amantes), desenhos ao vivo, criações espontâneas de visões e fantasias, traduções gráficas das suas preocupações hodiernas, documentação fotográfica e a prática da escrita, emerge um monumento de qualidade quase testamentária. Nunca Baudoin foi tão despojado, límpido, e ao mesmo tempo íntimo e, por isso, doloroso, falando abertamente sobre algumas figuras até agora algo protegidas: os filhos, as mães deles, as amantes verdadeiras, algumas memórias de violência.

Uma obra imensa que não poderá deixar senão consequências nos seus leitores, que colocarão em questão a própria natureza da leitura, da intimidade via livro, e ficaram tão movidos quanto agradecidos. Baudoin aproxima-se daquela natureza de Hokusai, que aos 80 anos dizia que finalmente começava a aprender a desenhar...


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