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Monsters. Barry Windsor-Smith.




Monsters. Barry Windsor-Smith.
366 páginas, preto-e-branco, capa cartonada; em inglês. 23 x 17 cm. Jonathan Cape. 34,50 €

 
Criado ao longo de três décadas, é muito possível que esta seja a opera magna do mestre septuagenário britânico, que cruzou elegantemente o desenho a finas linhas pré-Rafaelitas e a fantasia dinâmica de um Jack Kirby. Dando continuidade à sua prática criativa, o autor parece partir de premissas clássicas e até expectáveis do género - aparentemente a intriga é baseada no Hulk da Marvel, com um pouco de Capitão América, Frankenstein, e The Shining - para explorar questões profundas sobre o amor filial, o papel da identidade sobre as obrigações sociais, o significado de humanidade e a questão da última liberdade. Um livro cruel, violento, doloroso, tempestuoso, é nas notas de esperança e sacrifício que demonstra quão tocante a luz é quando brilha por entre as trevas.

Estruturado ao longo de uma linha temporal quebrada e recursiva, acompanhamos toda a vida de Bobby Bailey, e a sua terrível metamorfose, assim como o dos seus aliados e os outros... monstros, o livro voga pelo tempo como numa viagem perigosa em alto mar. Com um storytelling visual de mestre, em que a leitura se percorre de forma suave ao longo dos seus vários blocos temáticos e vamos revelando as dimensões de várias personagens, que são no fundo facetas de uma união do humano, esta é uma leitura de fôlego e de grande impacto.


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